REVISTA ENFRENTAMENTO, VOL. 26, NUM. 26


Acaba de ser publicado o novo número da Revista Enfrentamento, uma publicação do Movaut - Movimento Autogestionário. Esta edição traz o dossiê temático "Nem fascismo, nem antifascismo: a perspectiva proletária". Do editorial:

"Estes textos têm a intenção de lançar luzes ao conjunto de informações e análises que estão sendo feitas acerca do suposto “fascismo” presente no governo de Jair Bolsonaro. Todo o bloco progressista e até mesmo setores oposicionistas ao governo do bloco dominante estão a gritar por todos os meios que o governo Bolsonaro é fascista. Estão a tentar criar, sobretudo o bloco progressista, um suposto movimento antifascista. Os textos aqui presentes têm em vista criticar tanto o dito fascismo de Bolsonaro, quanto a espelunca antifascista em vias de formação no Brasil. Contudo, não se trata de crítica pela crítica, mas sim de crítica revolucionária, ou seja, que visa fazer prevalecer os interesses de classe do proletariado e demais classes inferiores. A tese que perpassa todos os textos presentes no dossiê é: o fascismo atribuído a Bolsonaro é discurso falacioso e o antifascismo que se opõe a este suposto fascismo é engodo. Engodo para a classe operária e seus interesses de classe. Mas, para o bloco progressista, o tal antifascismo é bem conveniente, pois: a) elimina a presença da classe operária e demais classes inferiores com suas organizações, consciência e interesses; b) faz prevalecer somente o ponto de vista democrático, ou seja, de defesa do assim chamado estado democrático de direito com suas instituições (estado, partidos, etc.) e processos políticos, sobretudo o eleitoral, que é o que mais convém ao bloco progressista."

A ORGANIZAÇÃO DOS CONSELHOS OPERÁRIOS

O sistema social aqui tratado poderia ser designado por comunismo não fosse o caso de esta palavra ser utilizada na propaganda mundial do “Partido comunista” para denominar o seu sistema de socialismo de Estado, sob uma ditadura do partido. Mas que importa um nome? Sempre se abusou dos nomes para enganar as massas; os sons familiares impedem-nas de pensar duma forma critica e de apreciar a realidade com clareza. Portanto, em vez de procurarmos o nome que mais convém, será sim de maior utilidade examinar mais de perto a característica principal do sistema: a organização dos conselhos.

https://redelp.net/revistas/index.php/rma/article/view/6pannekoek3/304

HOMENAGEM A PAUL MATTICK - UM TEÓRICO REVOLUCIONÁRIO




Homenagem ao teórico revolucionário do comunismo de conselhos Paul Mattick, por ocasião dos 116 anos de seu nascimento (14/03/1904):


"Nada prova de maneira mais peremptória o caráter revolucionário das teorias de Marx do que a dificuldade de assegurar a sua manutenção em períodos não-revolucionários. (...) Um revolucionário não pode deixar de, de tempos em tempos, se encontrar à margem da situação. Crer que a prática revolucionária, exprimindo-se através da ação autônoma dos trabalhadores, é possível em todos os momentos, significa aceitar as ilusões democráticas. Mas é bem difícil estar "de fora", pois a mudança de situação é absolutamente imprevisível e ninguém está para ficar debaixo de fogo quando ele rebentar. A coerência apenas existe no plano teórico. (...) Nada fará com que o curso das coisas se encaminhe automaticamente para o sentido desejado; muito pelo contrário, é preciso o combate em condições incertas, submetidas a bruscas variações e sob a constante ameaça do fracasso total. Nas épocas em que a história se inclina ainda a favor do capitalismo, a massa simplesmente numérica dos operários que se opõem ao poderoso Estado de classe, longe de representar o gigante sobre cujas costas os capitalistas repousam, é bem mais comparável ao touro que se vê constrangido a deslocar-se para onde quer que obriguem as bandarilhas que lhe espetaram."


Paul Mattick, Karl Kautsky: de Marx a Hitler. Escrito em 1939.






Por Rubens Vinícius - Militante do Movimento Autogestionário, núcleo de Santa Catarina.

A LUTA CONTRA O FASCISMO COMEÇA PELA LUTA CONTRA O BOLCHEVISMO - OTTO RÜHLE



"Segundo o método revolucionário de Lenine, os chefes são o cérebro das massas. Possuindo a educação revolucionária apropriada, são ainda capazes de apreciar as situações e comandar as forças combatentes. Eles são revolucionários profissionais, os generais do grande exército civil. Esta distinção entre o cérebro e o corpo, entre os intelectuais e as massas, os oficiais e os simples soldados, corresponde à dualidade da sociedade de classe, à ordem social burguesa. Uma classe é treinada para comandar, a outra para obedecer. É a velha forma de classe de que saiu a concepção leninista do partido. A sua organização é apenas uma simples réplica da realidade burguesa. A sua revolução é objetivamente determinada pelas mesmas forças que criam a ordem social burguesa, abstração feita dos objetivos que acompanham esse processo.
Quem quer que procure estabelecer um regime burguês, encontrará, no princípio da separação entre o chefe e as massas, entre a elite e a classe operária, a preparação estratégica de uma tal revolução. Quanto mais a direção é inteligente, instruída e superior, mais as massas são disciplinadas e obedientes, e também mais uma tal revolução tem possibilidades de vencer. Procurando fazer a revolução burguesa na Rússia, o partido de Lenine estava pois completamente adaptado ao seu objetivo. Quando, contudo, a revolução russa mudou de natureza, quando as suas características proletárias se tornaram evidentes, os métodos táticos e estratégicos de Lenine perderam o seu valor. Se ele levou a sua avante não foi por causa da sua elite, mas sim do movimento dos sovietes que ele não tinha incluído nos seus planos revolucionários. E quando Lenine, uma vez assegurado pelos sovietes o triunfo da revolução, decidiu uma vez mais livrar-se deles, com eles todos os caracteres proletários da revolução desapareceram. O carater burguês da revolução ocupou de novo a cena, encontrando a sua conclusão natural no estalinismo.


(A Luta Contra o Fascismo Começa Pela Luta Contra o Bolchevismo, Otto Rühle)


Texto completo:https://www.marxists.org/portugues/ruhle/1939/09/fascismo.htm

O QUE É O MARXISMO?





SINOPSE:
O marxismo revela-se como a mais importante teoria do século 20. Ele surgiu no século 19 e vem se desenvolvendo até os dias de hoje, no início do século 21 e, ao que tudo indica, apesar das proclamadas “crises do marxismo”, permanecerá vivo e atuante neste século. A importância desta teoria é facilmente reconhecida quando se observa a sua influência sobre as sociedades contemporâneas, a filosofia, as lutas políticas, as artes e as ciências humanas em geral. A famosa afirmação de Jean-Paul Sartre nos parece correta (Sartre, 1967): o marxismo é a filosofia do nosso século (seria melhor dizer: da nossa época). Isto revela a importância que possui o estudo do marxismo e da obra de Marx.
A questão que buscamos responder aqui é: o que é o marxismo? O marxismo sempre foi definido de formas diferentes pelas várias correntes políticas, científicas e filosóficas que se reivindicam dele. Pode-se dizer, também, que não existe um consenso entre os não-marxistas sobre a definição de marxismo. O nosso objetivo aqui é apresentar uma definição do marxismo que dê conta de explicar, inclusive, o motivo da existência de vários “marxismos”.

A POLÍTICA REVOLUCIONÁRIA CONCRETA